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Isto de estar vivo não vai acabar bem.

Primeiro ficamos espantados, depois vem o vício, e finalmente somos consumidos episódio após episódio por uma série que prenda, de tão boa, e pede por mais. Mas nem tudo em The Shield (O Protector) é feito de maravilhas: chega o final da 5ª temporada e desejamos nunca ter tido contacto com estas personagens. Descobre-se que o mundo, afinal, já nem na TV acaba em harmonia. É então que a angustia se apodera de nós, de tão vidrada que a nossa alma se encontra… porquê este final, porquê?

Dos cinco mistérios do universo, este é o que mais me espanta:

Free will

If you want to keep your sanity, look away now. Neuroscientists are almost convinced that free will is an illusion. Their experiments show that our brains allow us to think we are controlling our bodies, but our movements begin before we make a conscious decision to move. Some researchers have already been approached to testify in court that the defendant is not to blame for anything they did. A scary legal future awaits.

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Todos o ouvimos na escola, todos o sabemos. Mas agora olhamos à nossa volta:  os pobres ficam mais pobres, os ricos ficam menos ricos, as empresas fecham, os países entram na banca rota. Se todos perdem e o dinheiro continua por aí, quem ganha afinal?

Enquanto o primo vai a correr meditar para o Nepal ao tio depressa se detecta alzheimer.

Recupero do extinto Sardoal Virtual, do Luís, o texto sobre o meu (porque era de todos nós) cão. RIP.

Joli, o cão que é malta! (30/09/2003)

Todas as terras têm as suas figuras. Símbolos que atravessam gerações, e que, devido a alguma excentricidade, se tornam populares, tornando-se parte do património cultural de todo um povo. Há os bêbados, as mulheres de mau porte, aqueles que ainda conservam alguma profissão mais tradicional ou fora do comum, aqueles a quem “falta um parafuso”, e há também os que conjugam um pouco das características anteriores. No Sardoal há todo esse tipo de gente. E há o Joli!

Começo por dizer, para quem não sabe, que Joli é um cão. Sem donos definidos, com muitos amigos indefinidos. E é, provavelmente a figura mais popular do Sardoal, neste início de século. O Joli é um boémio. É possível encontrá-lo virtualmente em qualquer local onde haja o menor indício de festa. E se não vai pelos seus meios, alguém o há-de levar. Sim, porque dão boleia ao Joli, para bares, discotecas, arraiais populares. Ele sabe o que fazer quando se abre a porta do carro. Senta-se no banco de trás (sente-se inseguro no lugar do pendura), e é vê-lo sentado nas patas de trás, como que dizendo, “Para onde vamos? Onde é a festa?”. E é vê-lo chegar ao local, e ser cumprimentado por todos. Ele nunca nega um cumprimento.

Muitas vezes o Joli parece ter o dom da ubiquidade. Estamos num bar, com o Joli a circular entre o pessoal, mudamos de local e lá está o Joli, a cirandar, como se de um local para outro, o seu único esforço, fosse um passe de mágica. O Joli pode aparecer nos locais mais inesperados, às horas mais inusitadas, mas é natural que o faça, é sinal que um bom grupo de farra está reunido.
O Joli não ladra, é raro responder aos outros cães, até porque não está para isso. Ele quer é boa disposição, e estar entre os amigos, sem “más ondas”. É também uma questão de classe, ele sabe que é cão, mas não se porta como tal, ele só responde na sua língua, e essa vai muito para além dos latidos.

O Joli tem hábitos, porque nem só o homem é um animal de hábitos, dorme de dia, anda de noite. Na Semana Santa costuma estar junto ao Café Avenida, deitado, a ver as procissões passarem, e sempre acompanhado. O Joli não vai às cadelas! Até correm rumores acerca da sua sexualidade, mas nem isso lhe tira popularidade… Acho até que o Joli poderia integrar uma lista nas próximas eleições autárquicas, ficaria bem como vogal de uma Junta de Freguesia, e ninguém como ele, corre estes caminhos, de dia e de noite (especialmente à noite), e se dá bem com toda a gente.
Todos temos histórias com o Joli, algumas que parecem quase de ordem do sobrenatural. Talvez seja por isso que ele é tão popular, todos nós temos um bocadinho de Joli na nossa vida.

O Joli não é pessoa, mas é gente…

G.H. Hardy foi um importante matemático do início do século XX, mas a sua obra não se ficou apenas em fazer matemática, mas também em escrever sobre ela, num dos mais consideráveis livros sobre a dita.  A matemática é então, para ele, a arte que pode levar mais longe a imortalidade de quem a faz. Como exemplo, mostra uma das mais simples e belas demonstrações, com mais de 2000 anos e devida a Euclides. Existem infinitos números primos, aqui está a prova:

The prime numbers or primes are the numbers (A) 2, 3, 5, 7,11,13,17,19, 23, 29,… which cannot be resolved into smaller factors. Thus 37 and 317 are prime. The primes are the material out of which all numbers are built up by multiplication: thus 666 = 2⋅ 3⋅ 3⋅37 . Every number which is not prime itself is divisible by at least one prime (usually, of course, by several). We have to prove that there are infinitely many primes, i.e. that the series (A) never comes to an end. Let us suppose that it does, and that 2, 3, 5, … , P is the complete series (so that P is the largest prime); and let us, on this hypothesis, consider the number Q defined by the formula Q = (2 ⋅3⋅5⋅…⋅ P) +1. It is plain that Q is not divisible by any of 2, 3, 5, …, P ; for it leaves the remainder 1 when divided by any one of these numbers. But, if not itself prime, it is divisible by some prime, and therefore there is a prime (which may be Q itself) greater than any of them. This contradicts our hypothesis, that there is no prime greater than P; and therefore this hypothesis is false. QED

The proof is by reductio ad absurdum, and reductio ad absurdum, which Euclid loved so much, is one of a mathematician’s finest weapons. It is a far finer gambit than any chess gambit: a chess player may offer the sacrifice of a pawn or even a piece, but a mathematician offers the game.

O medo do escuro é uma característica muito comum a todas as pessoas. Quando estamos no quarto, sozinhos à noite, o receio só se dilui quando se liga a televisão ou a luz. À partida, nada faz fazer parecer que o medo vai desaparecer: tudo o que nos poderia assombrar continua a poder fazê-lo. Mas talvez não, talvez a televisão e a luz do candeeiro tragam consigo uma mensagem subliminar. Pela televisão entra-nos um mundo actual, avançado, tecnológico, onde os fantasmas não têm lugar nem cabimento. No escuro, sozinhos connosco, esse mundo como que deixa de existir e somos remetidos à nossa existência primária, onde os medos surgem à flor da pele. No escuro, voltamos a ser animais no meio da floresta.

Na imagem, Richard Dawkins, autor do famoso The God Delusion e um dos apoiantes da campanha que mete anúncios pro-ateísmo em autocarros a circular pela grã-bretanha. Do mais cool que vi nos últimos tempos.

As passagens de ano sempre acabaram cedo para mim, ou porque vem o sono, que é o mais habitual, ou a melancolia. O dia 31 de Dezembro acarreta consigo o acumular de um ano inteiro de trabalhos e cansaços… é, portanto, o dia em que estamos mais saturados. O dia do ano em que nos deviamos deitar mais cedo, repousar e acordar no dia 1 preparados para enfrentar outro ano. Não contem mais comigo para reveillons.

“Here is where I have changed my mind. There are no moral facts. Moral sentences have no truth-values. The world itself is silent, it just doesn’t speak to us in normative affairs — nothing in the physical universe tells us what makes an action a good action or a specific brain-state a desirable one. Sure, we all would like to know what a good neurophenomenological configuration really is, and how we should optimize our conscious minds in the future. But it looks like, in a more rigorous and serious sense, there is just no ethical knowledge to be had. We are alone. And if that is true, all we have to go by are the contingent moral intuitions evolution has hard-wired into our emotional self-model. If we choose to simply go by what feels good, then our future is easy to predict: It will be primitive hedonism and organized religion.”

Thomas Metzinger 

Todos os anos o interessantíssimo edge coloca uma questão aos maiores cientistas/pensadores/filósofosos modernos. O texto acima é uma resposta à pergunta de 2008, What have you changed your mind about?. O resultado é o compilar de um manancial de textos de leitura obrigatória. As respostas à pergunta de 2009, What will change everything?, saem já amanhã.

…inspirado pela sofia, aqui, vou também eu embrenhar-me na ciclópica tarefa de juntar 4€ ao dia durante todos os dias de 2009… porque o euromilhões não vou ganhar.

The Smiths – I Know It’s Over

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it’s over – still I cling
I don’t know where else I can go
Oh …
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See, the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me ?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
(Though she needs you
More than she loves you)
And I know it’s over – still I cling
I don’t know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over, la …
I know it’s over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
“If you’re so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you’re so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you’re so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you’re so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
I know …
‘Cause tonight is just like any other night
That’s why you’re on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they’re in each other’s arms…”
It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over, over
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head